domingo, 24 de agosto de 2014

RECORDANDO UMA GRANDE DO FADO


Maria da Fé, de seu nome Maria da Conceição da Costa Marques, nasceu no Porto no dia 25 de Maio de 1942. Na cidade do Porto foi onde começou a cantar, por influência da mãe, usando nessa altura o nome artístico de Maria da Conceição. A fadista conta os seus anos de carreira apenas a partir de 1963, dois anos depois de ter vindo para Lisboa, embora nesta data já tivesse feito vários espectáculo e inclusive editado gravações discográficas
Maria da Fé começou a cantar Fado ainda em criança e, com apenas nove anos, apresentava-se em festas de amadores. Aos 13 anos ganhou um concurso realizado pelo "Jornal de Notícias" e o empresário Domingos Parquer, na Feira Popular do Porto. Em 1959, com 16 anos, voltou a ser consagrada vencedora como Rainha das Cantadeiras, no mesmo concurso, desta vez apresentado no Palácio de Cristal. No ano seguinte, acompanhada pela mãe estabelece residência em Lisboa e, incentivada pelo poeta Francisco Radamanto, rapidamente integrou o elenco de uma das mais importantes casas de Fado de Lisboa, a Adega Machado. Ao fim de dois meses foi para a Parrreirinha de Alfama, local onde foi convidada a apresentar-se durante 14 dias num espectáculo do Casino Estoril. Data também da sua vinda para Lisboa o registo do seu nome artístico como Maria da Fé, escolha feita por sugestão do fadista Raul Dias, com o objectivo de tirar a carteira profissional exigida na altura.
Casou com o poeta José Luís Gordo, em 1968, e deste casamento nasceram 2 filhas. Nunca teve outras profissões a não ser a de fadista, até se juntar ao seu marido na gestão da Casa de Fados que abrem em 1975, o Senhor Vinho, que funciona até hoje.
Em 1969 participa no Festival RTP da Canção, estreando o género fado no certame com a interpretação de "Vento do Norte", da autoria de Francisco Nicholson e Braga dos Santos.
Maria da Fé actuou em diversas Casas de Fado. As suas interpretações trouxeram-lhe um imenso sucesso, com um grande protagonismo nos meios de comunicação social, uma sucessão regular de discos gravados, inúmeros espectáculos por Portugal inteiro e várias digressões pela Europa, Norte de África, Guiné, Angola e Moçambique, Américas do Norte e do Sul e Austrália
A sua primeira actuação no estrangeiro foi numa associação recreativa de Newark (New Jersey), a que se sucederam inúmeros países e salas de grandes cidades, de onde salientamos o Brasil, país em que Maria da Fé actuou na década de 60, voltando em 1984, no âmbito da ponte cultural luso-brasileira, e novamente na década de 90.
No ano de 1984 participa no filme "To Catch a King", realizado por Clive Donner e protagonizado por Robert Wagner, onde interpreta dois fados: "Cantarei até que a voz me doa" e "Portugal, meu amor".
Maria da Fé prosseguiu com os seus concertos individuais, comemorando no Teatro S. Luís os seus 40 anos de carreira, no ano de 2003, com um espectáculo intitulado "Divino Fado". Actualmente Maria da Fé faz apenas os espectáculos que lhe dão prazer e mantém a gestão da sua Casa de Fados, onde muitas vezes se apresenta ao público, apesar de ter muitos artistas conceituados no seu elenco.
O seu primeiro disco gravou-o em 1960, ainda no Porto, com dois Fados seus e outros dois de Fernando Manuel, um fadista que à data fazia parte do elenco da Casa de Fados Viela. A esta edição somaram-se muitas outras, ao longo de mais de 40 anos como profissional.
Ainda na década de 1960 a convite de José Duarte integra o projecto Pop Fado, gravando as suas interpretações acompanhadas por guitarra eléctrica e bateria. Um projecto que gerou muita polémica no meio tradicionalista do Fado.
Recentemente, em 2000, integrou o projecto Entre Vozes - conjunto constituído por Alexandra, Alice Pires e Lenita Gentil. Com esta formação foi apenas editado um CD, no ano de 2000, tendo Maria da Fé e Alexandra saído do projecto e sido substituídas por Maria Armanda e Teresa Tapadas
Na sua vasta discografia conta com cerca de 30 LP’s e 15 CD’s. A sua mais recente edição discográfica data de 2005 - o CD: "Nome de Fado".
Intérprete de temas emblemáticos como "Cantarei até que a voz me doa", de autoria de José Luís Gordo e de José Fontes Rocha; ou "Valeu a Pena", do Prof. Moniz Pereira. Maria da Fé é uma figura incontornável do universo do fado desde a década de 1960

Fonte: Museu do Fado

GRANDES PARES DO CINEMA



segunda-feira, 9 de junho de 2014

RECORDANDO UMA GRANDE DO FADO



Nasceu no Porto em 1974. Aos 7 anos de idade começou a estudar piano e aos 12 entrou no Conservatório Nacional onde acabou por tirar o curso geral de piano e o curso de canto. Formada em Comunicação Social, pela Universidade Católica, cedo começou a cantar em público, sobretudo em coros de igreja e festas particulares e foi numa dessas ocasiões que o fadista João Braga a conheceu e a desafiou a cantar Fado.
A segunda experiência em registo discográfico, já como única voz presente, aconteceu num projecto de Ricardo Rocha e João Paulo Esteves da Silva -"Luz Destino" -no qual o Fado se "vestiu" duma sonoridade fora do que é habitual ouvir-se neste género musical. Com a guitarra de Ricardo Rocha -que também se revelou neste disco -a ocupar-se da maioria dos arranjos e o contrabaixo de Mário Franco a "colorir" uma parte dos temas, completou-se esta obra que serviu de aposta da editora independente norte-americana M. A. Recordings.
Se em "Luz Destino" Maria Ana Bobone aparece como o complemento vocal sonhado pelos autores do projecto, em "Senhora da Lapa" é ela que inspira de forma entusiástica todos os participantes no disco sendo possível afirmar que o canto de Maria Ana revela uma redescoberta da voz humana no seu estado mais puro. Ambos os trabalhos foram reconhecidos pela crítica especializada.
Maria Ana conta já com uma nomeação para os "Globos de Ouro" na categoria de "Melhor Intérprete Individual" (1997) e participou em vários programas nos quatro canais portugueses de televisão. Até à data, já pisou os principais palcos de Portugal (São Luiz, São Carlos, Centro Cultural de Belém, "Palco do Fado" (Expo' 98), Auditório da Culturgest, Auditório do Parque Palmela, em Cascais, Casino do Estoril, Coliseu dos Recreios, Aula Magna da Reitoria da Faculdade de Direito de Lisboa, Coliseu do Porto e Casino da Figueira da Foz.
Do seu palmarés internacional, constam actuações no Luxemburgo (1994), Copenhague (Dinamarca, 1996), Barcelona (Espanha, 1997), Suiça (1997), NJPAC (Newark, EUA, 1998), São Paulo (Brasil, 1999), La Baule (França, 1999), Cidade do México (México, 1999), de novo, nos E.U.A. (2000), Malmö (Suécia), Portonovo (Itália), Arzila (Marrocos) e Rotterdam (Holanda)-estas últimas em 2001. Participou ainda em três concertos em memória de Amália Rodrigues (Casino da Figueira da Foz (Mar. 2000); Coliseu dos Recreios (Out. 2000); e escadinhas da Igreja de São Vicente de Fora (Jul. 2001) -os 2 últimos transmitidos em directo pela TVI. Também fez parte dos convidados musicais que participaram no espectáculo a propósito das comemorações dos 25 anos de Pontificado do Papa João Paulo II, para uma plateia de 40.000 pessoas.
O álbum, "100 Anos de Fado - vol. 2", com cinco fados seus, mereceu, por parte dos nossos melhores críticos, as mais entusiásticas referências.
De assinalar a sua presença nos prestigiados Festivais de Música dos Capuchos (1999), de Monsaraz (2000), de Ancona (Itália, Junho de 2001) e da Casa de Mateus (Vila Real), em Agosto do mesmo ano.
Em 2002 apresentou uma série de 13 programas na RTPi, "Fados de Portugal", em que, além de entrevistar personalidades como Manuel Alegre, António Vitorino de Almeida ou José Fonseca e Costa, cantou muitos dos seus fados e manteve animadas conversas com convidados em estúdio e telespectadores de todas as partes do mundo. Desde então continuou apresentar o seu repertório em Portugal e no estrangeiro. Entre 2004 e 2005 grava o seu primeiro CD a solo, ao vivo, na Igreja da Graça, em Lisboa. "Nome de Mar", título do trabalho discográfico editado no início de 2006, conta com a direcção musical e arranjos de Ricardo Rocha, e com as participações de Filipa Pais e Tetvocal, entre outros. Do repertório fazem parte alguns fados tradicionais bem como poemas de Manuel Alegre, Fernando Pessoa ou Miguel Torga.
Lança em Junho de 2012 o seu mais recente trabalho – Fado & Piano. Nele, em parceria com o produtor Rodrigo Serrão, explora e revela a completa dimensão de todo o seu talento: compõe, escreve, canta, faz arranjos e toca todos os temas ao piano que assume como instrumento de eleição no acompanhamento do Fado (tradição que remonta ao final do século XIX), inovando, sustentada num respeito e conhecimento profundo das tradições, acompanhada pela incontornável Guitarra Portuguesa e pelo Contrabaixo. Tudo isto torna Maria Ana Bobone, numa das mais importantes e distintas referências artísticas da actualidade.
Fonte. Portal do Fado (com actualizações)