segunda-feira, 9 de junho de 2014

RECORDANDO UMA GRANDE DO FADO



Nasceu no Porto em 1974. Aos 7 anos de idade começou a estudar piano e aos 12 entrou no Conservatório Nacional onde acabou por tirar o curso geral de piano e o curso de canto. Formada em Comunicação Social, pela Universidade Católica, cedo começou a cantar em público, sobretudo em coros de igreja e festas particulares e foi numa dessas ocasiões que o fadista João Braga a conheceu e a desafiou a cantar Fado.
A segunda experiência em registo discográfico, já como única voz presente, aconteceu num projecto de Ricardo Rocha e João Paulo Esteves da Silva -"Luz Destino" -no qual o Fado se "vestiu" duma sonoridade fora do que é habitual ouvir-se neste género musical. Com a guitarra de Ricardo Rocha -que também se revelou neste disco -a ocupar-se da maioria dos arranjos e o contrabaixo de Mário Franco a "colorir" uma parte dos temas, completou-se esta obra que serviu de aposta da editora independente norte-americana M. A. Recordings.
Se em "Luz Destino" Maria Ana Bobone aparece como o complemento vocal sonhado pelos autores do projecto, em "Senhora da Lapa" é ela que inspira de forma entusiástica todos os participantes no disco sendo possível afirmar que o canto de Maria Ana revela uma redescoberta da voz humana no seu estado mais puro. Ambos os trabalhos foram reconhecidos pela crítica especializada.
Maria Ana conta já com uma nomeação para os "Globos de Ouro" na categoria de "Melhor Intérprete Individual" (1997) e participou em vários programas nos quatro canais portugueses de televisão. Até à data, já pisou os principais palcos de Portugal (São Luiz, São Carlos, Centro Cultural de Belém, "Palco do Fado" (Expo' 98), Auditório da Culturgest, Auditório do Parque Palmela, em Cascais, Casino do Estoril, Coliseu dos Recreios, Aula Magna da Reitoria da Faculdade de Direito de Lisboa, Coliseu do Porto e Casino da Figueira da Foz.
Do seu palmarés internacional, constam actuações no Luxemburgo (1994), Copenhague (Dinamarca, 1996), Barcelona (Espanha, 1997), Suiça (1997), NJPAC (Newark, EUA, 1998), São Paulo (Brasil, 1999), La Baule (França, 1999), Cidade do México (México, 1999), de novo, nos E.U.A. (2000), Malmö (Suécia), Portonovo (Itália), Arzila (Marrocos) e Rotterdam (Holanda)-estas últimas em 2001. Participou ainda em três concertos em memória de Amália Rodrigues (Casino da Figueira da Foz (Mar. 2000); Coliseu dos Recreios (Out. 2000); e escadinhas da Igreja de São Vicente de Fora (Jul. 2001) -os 2 últimos transmitidos em directo pela TVI. Também fez parte dos convidados musicais que participaram no espectáculo a propósito das comemorações dos 25 anos de Pontificado do Papa João Paulo II, para uma plateia de 40.000 pessoas.
O álbum, "100 Anos de Fado - vol. 2", com cinco fados seus, mereceu, por parte dos nossos melhores críticos, as mais entusiásticas referências.
De assinalar a sua presença nos prestigiados Festivais de Música dos Capuchos (1999), de Monsaraz (2000), de Ancona (Itália, Junho de 2001) e da Casa de Mateus (Vila Real), em Agosto do mesmo ano.
Em 2002 apresentou uma série de 13 programas na RTPi, "Fados de Portugal", em que, além de entrevistar personalidades como Manuel Alegre, António Vitorino de Almeida ou José Fonseca e Costa, cantou muitos dos seus fados e manteve animadas conversas com convidados em estúdio e telespectadores de todas as partes do mundo. Desde então continuou apresentar o seu repertório em Portugal e no estrangeiro. Entre 2004 e 2005 grava o seu primeiro CD a solo, ao vivo, na Igreja da Graça, em Lisboa. "Nome de Mar", título do trabalho discográfico editado no início de 2006, conta com a direcção musical e arranjos de Ricardo Rocha, e com as participações de Filipa Pais e Tetvocal, entre outros. Do repertório fazem parte alguns fados tradicionais bem como poemas de Manuel Alegre, Fernando Pessoa ou Miguel Torga.
Lança em Junho de 2012 o seu mais recente trabalho – Fado & Piano. Nele, em parceria com o produtor Rodrigo Serrão, explora e revela a completa dimensão de todo o seu talento: compõe, escreve, canta, faz arranjos e toca todos os temas ao piano que assume como instrumento de eleição no acompanhamento do Fado (tradição que remonta ao final do século XIX), inovando, sustentada num respeito e conhecimento profundo das tradições, acompanhada pela incontornável Guitarra Portuguesa e pelo Contrabaixo. Tudo isto torna Maria Ana Bobone, numa das mais importantes e distintas referências artísticas da actualidade.
Fonte. Portal do Fado (com actualizações)


GRANDES PARES DO CINEMA



quarta-feira, 14 de maio de 2014

RECORDANDO UM GRANDE DO FADO



José Nunes Alves da Costa nasceu no Porto na freguesia de Paranhos em 28 de Dezembro de 1916.
Ainda a viver no Porto com cerca de 5 anos aprende a dedilhar o Fado Menor numa guitarra que pertencia a um sapateiro seu vizinho. Com oito anos de idade vem para Lisboa estudar, tirando o Curso de Electrotecnia, que acaba tinha cerca de 16 anos. Começa a frequentar uma taberna à Rua dos Cavaleiros, que tinha à disposição de quem soubesse tocar uma guitarra e uma viola, à tarde o local era frequentado por gente do Fado onde os seus dotes a ninguém passou despercebido. Ainda como amador mas já não sendo um principiante José Nunes exibe-se no Café Ginásio, no Café Luso (Avenida da Liberdade), e ainda em tertúlias fadistas.
É em 1936 com vinte anos de idade que se estreia como profissional no Café Mondego (mais tarde Retiro dos Marialvas), acompanhado por um dos mais conceituados tocadores de viola de Fado da época, Alfredo Mendes.
Em 1945 com a reabertura do Solar da Alegria, sob a direcção artística de Júlio Proença, é contratado, ali levam a efeito as noites de “Fado Antigo” era nessa altura cabeça de cartaz Fernanda Peres “ a voz nostálgica do Fado”, José Nunes à frente de um conjunto de guitarras e violas dos quais fazem parte Casimiro Ramos, Alfredo Mendes e Pais da Silva, onde cada vez ganha mais admiradores, há quem o compare ao Grande Armandinho .
Mais tarde actua no Café Luso (Travessa da Queimada), onde se mantém sete anos, rescinde o contrato porque decide tirar partido do seu curso e talvez uma maior estabilidade profissional, e ingressa na Companhias Reunidas de Gás e Electricidade, onde chega a exercer o cargo de Chefe Ajunto da rede geral de gás, conseguindo no entanto conciliar esta actividade com a de músico.
Tocou em directo como era costume na época em várias rádios, mas foi na Emissora Nacional que mantém às sextas-feiras durante cerca de trinta anos um programa que foi decerto inspiração para muitos futuros guitarristas.
Em 1956 é o primeiro guitarrista a actuar na Radiotelevisão.
José Nunes tocou praticamente para todos os fadistas e gravou com muitos deles, permitam-me que realce,  eu próprio tive a honra de gravar um EP para a Valentim de Carvalho, e um dos temas desse disco era precisamente o poema que Artur Ribeiro fez para mim, e uma pessoa que tal como se diz do meu avô tinha (um certo mau feitio), só me posso recordar que foi de uma simpatia e de uma colaboração, aliadas a alguns conselhos que nunca poderei esquecer. Foi guitarrista de Amália em Portugal e no Estrangeiro, mas acaba por dar lugar a outro, pois tem a fobia de andar de avião.
È autor de vários fados e variações, saiu à cerca de dois anos um "CD - O Melhor de José Nunes" com as suas variações que é uma tal virtuosidade, ouvi-lo causa arrepios de prazer fadista.
A sua guitarra cala-se em 23 de Janeiro de 1979, no seu cortejo fúnebre a grande maioria dos músicos e gente do Fado, prestam-lhe a sua sentida homenagem.

Fonte: Lisboa no Guiness