domingo, 9 de novembro de 2014

RECORDANDO UM GRANDE DO FADO


Nasceu em Alijo, Alto Douro em 19 de Novembro de 1926. Aos 10 anos foi viver com os seus pais para o Porto, onde aprendeu a tocar Bandolim.
Entretanto trabalhou como aprendiz de alfaiate. Seu pai tocava Guitarra com os amigos e pouco depois também quis fazer o mesmo com a ajuda dum vizinho que também tocava Bandolim. Aos 13 anos tocava Viola e pouco depois fundou com José Fonseca (Violino) e Abílio Nunes (Bandolim) um conjunto de baile. Mais tarde este agrupamento transformou-se em sexteto com a entrada no grupo de um acordeonista, um baterista e um saxofonista.
Em 1952 actuou com o guitarrista Marcírio Ferreira e a cantadeira Elisa Silva no Palácio de Cristal do Porto. Em 1953 tocou com o guitarrista Samuel Paixão no Dancing Palladium. Entretanto, estabeleceu-se como alfaiate no Padrão da Légua, Porto. Vivia ali um barbeiro, Álvaro Martins, que tocava Guitarra Portuguesa e que o influenciou na entrada para o Fado. Em 1957 actuaram no Tamariz do Porto. Convidado por Moniz Trindade, inaugurou em Janeiro de 1958 o Café Pam-Pam, que se situava junto à Praça do Chile. Quando o estabelecimento encerrou as suas portas, Álvaro Martins regressou ao Porto, e Nóbrega passou a acompanhar Jorge Fontes. Foi tocar para a Nau Catrineta, estabelecendo-se outra vez como alfaiate, agora no Largo da Misericórdia. Por falta de tempo e cada vez mais solicitado para o Fado, desistiu de vez da profissão de alfaiate. Entretanto quis aperfeiçoar-se, recebendo lições de Viola do Professor Duarte Costa. Em Fevereiro de 1968 colaborou activamente na realização do Mês de Portugal promovido em Copenhaga pelo Centro de Turismo de Portugal, tendo actuado no Festival Português realizado no Restaurante Lorry. Actuou na Tágide, acompanhando a fadista Helena Tavares, na Nau Catrineta com Jorge Fontes acompanhou Moniz Trindade (1958 e 1959), e passou por todas as casas de Fado de Lisboa.
Na sua vida profissional acompanhou grandes figuras do Fado como, Carlos do Carmo. Em 2005 a Casa da Imprensa atribuiu-lhe o Prémio Carreira e a Fundação Amália Rodrigues concedeu-lhe o prémio Viola do Fado.
Fonte: Portal do Fado


GRANDES PARES DO CINEMA



terça-feira, 14 de outubro de 2014

RECORDANDO UM GRANDE DO FADO


Aquele que viria a ser uma das mais carismáticas figuras da noite lisboeta nasceu no Porto, em 28 de Setembro de 1924. António Maria de Matos, Tony de Matos para a posteridade. Filho de artistas da companhia teatral itinerante de Rafael de Oliveira, desde cedo começou a lidar com os palcos. A oposição paterna vai contrariar, contudo, o gosto que o jovem tem pelas cantigas. "Cantar só se fosse na rua, porque meu pai não queria, de modo algum, que eu seguisse a carreira de artista", dirá mais tarde. O seu primeiro trabalho no mundo artístico não será mais que o desempenho das funções de ponto na referida companhia. Mas o desejo de cantar leva-o a Lisboa onde, a pretexto de um trabalho burocrático, se inicia no mundo das cantigas, passando no exame da Emissora Nacional. Mas logo regressa ao convívio de seus pais e, uma noite, numa verbena, decide-se a cantar o fado. Causa espanto. Levado ao Café Luso, encantará tudo e todos e ficará a actuar, logo ali, dez noites por mês, com um salário de 50 escudos por noite. Tem 24 anos. Permanecerá dois anos no Luso, que só abandonará pelos espectáculos publicitários APA e o Comboio das Seis e Meia, de José Castelo e Igrejas Caeiro. Ganhando crescente popularidade graças a estes programas e aos Serões da Emissora Nacional, Tony de Matos estreia-se em 1952 no teatro de revista, primeiro em Cantigas Ó Rosa e, depois, em Saias Curtas. No ano seguinte será a vez do Brasil, primeira estada que durará seis meses. Após uma visita a Portugal, marcada por digressões diversas que incluíram África e a antiga Índia Portuguesa, o cantor regressa ao Brasil, onde ficará por longos seis anos, actuando na rádio, na televisão, e sendo proprietário de "O Fado", pelo qual passaram, como espectadores, alguns dos nomes maiores do panorama artístico e literário do Rio de Janeiro. Mas 1963 marca a segunda e mais marcante fase da sua carreira, com o regresso a Portugal, cantando já fora do âmbito restrito do fado, alargando o seu repertório para a canção romântica.
E é neste estilo que Tony de Matos vai encontrar o seu lugar único, a ponto de ser considerado o cantor romântico por excelência, o intérprete de charme que viria a ser admirado e por gerações sucessivas, incluindo alguns sectores da crítica dos anos oitenta, que o consideram percursor de algumas das linhas de força da música ligeira moderna. O regresso do "cantor da voz romântica", designação inventada por Natália Correia, deve-se, em grande parte, ao sucesso de Só Nós Dois e Lado a Lado, canções que vão explodir nas rádios portuguesas. Liquida os negócios no Brasil e nunca mais voltará. Ficou célebre o seu espectáculo num Pavilhão dos Desportos completamente cheio, em 1964. Estreia-se no cinema em A Canção da Saudade (1964) de Henrique Campos, sendo ainda protagonista em Rapazes de Táxis (1965) de Constantino Esteves, O Destino Marca a Hora de Henrique Campos e Derrapagem (1972).
Após o 25 de Abril, conotado com o nacional – cançonetismo, prossegue a sua profissão junto das comunidades de emigrantes no estrangeiro. A sua carreira conhecerá um novo renascimento a partir de 1985, ano em que Vitorino Salomé o convida para cantar a seu lado no Coliseu. De novo os discos e um espectáculo próprio no Coliseu vão coroar a vida do grande intérprete, do "cantor de charme", como gostava de se intitular.
Faleceu em Lisboa a 8 de Junho de 1989.

Fontes: Portal do Fado e Wikipédia